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EDITORIAL

Fernando Oliveira Silva

Fernando Oliveira Silva

Presidente do IMPIC

A competitividade sustentável do setor da construção e do imobiliário

Já todos sabemos que o setor vive tempos de mudança, que devem ser, também, tempos de reflexão. Já todos sabemos que, no passado, foram feitas importantes realizações, bem como outras coisas menos importantes. Já todos sabemos o porquê…o congelamento das rendas, o crédito bancário fácil, o estímulo à aquisição de casa própria, os fundos da União Europeia, os projetos mal feitos, os licenciamentos burocráticos, as derrapagens nas obras, etc., etc., etc. Pois bem! Esse tempo acabou, porque o modelo de crescimento era insustentável, pelas razões que são conhecidas e que me dispenso aqui de enumerar. Mas também todos sabemos qual o peso e a importância que o setor da construção e do imobiliário tem na economia e na vida de cada um de nós, não só pelo impacto que tem, a montante a jusante, na dinamização de toda a atividade económica, mas também porque a habitação é o mais importante dos bens físicos patrimoniais, cujo direito está constitucionalmente consagrado (artigo 65.º da CRP). Precisamos, pois, de um setor da construção e do imobiliário competitivo, mas sustentável, preparado para encarar o futuro com otimismo. E nesse domínio

o Estado tem um importante papel a desenvolver lançando os instrumentos propulsores e indutores dessa política estratégica. Daí que o compromisso assinado, no passado dia 8 de março de 2013, entre o Governo e a CPCI (Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário) constitua, na minha modesta opinião, um passo fundamental para a sustentabilidade, presente e futura, deste importante setor da economia nacional. É certo que se trata de um documento muito ambicioso, com 52 medidas, em 7 domínios prioritários, mas medidas que são, de facto, realizáveis, na sua maioria, no curto e médio prazo. Gostaria de destacar os seguintes domínios de intervenção que considero essenciais: 1 – EMPREGO E QUALIFICAÇÕES: A sustentabilidade do setor passa, em grande medida, pelas pessoas que o compõem. E aqui as Universidades terão, como sempre tiveram, um papel decisivo na formação dos nossos quadros (atuais e futuros), preparando-os para o domínio das novas técnicas construtivas (por exemplo, na área da reabilitação urbana e da eficiência energética).

2 – PLANEAMENTO DE INVESTIMENTOS PÚBLICOS E APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO: A sustentabilidade do setor passa também pelo adequado planeamento (e rigoroso cumprimento) do investimento público nacional e pelo conhecimento atempado das oportunidades de negócio no exterior (diplomacia económica), demodo a que as empresas possam, elas próprias, adaptar a sua estrutura às reais necessidades do mercado.

3 – REABILITAÇÃO URBANA E ARRENDAMENTO: são os substitutos naturais dos mercados da “construção nova” e da “aquisição de casa própria”, como era visível pelas estatísticas europeias. Ao Estado compete dar o exemplo, criando quadros normativos impulsionadores desta estratégia e reabilitando o seu próprio património imobiliário.

4 – INOVAÇÃO: Quando não se consegue competir em dimensão, compete-se pela inovação. É, pois, vital, apoiar e fomentar a inovação no setor, pois trata-se de um pilar fundamental para a internacionalização das nossas empresas. Gostaria de destacar, neste domínio, o papel que a Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção (PTPC) tem vindo a desenvolver, enquanto polo agregador das empresas e das entidades do sistema científico e tecnológico nacional, em torno de um objetivo comum.

5 – SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: Quando se fala de Sustentabilidade, fala-se, naturalmente, de Ambiente. Fala-se da necessidade de preservar o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras. A indústria da construção tem - pelos recursos que movimenta e pelos resíduos que produz - um papel relevante nesta matéria, devendo assumir uma gestão eficiente desses recursos em linha com o estabelecido na Estratégia “Europa 2020”.