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EDITORIAL

Filipe Vasconcelos

Filipe Vasconcelos

Diretor-Geral da ADENE

A certificação energética abrange já mais de 500 000 edifícios, tendo um reconhecimento crescente dos consumidores

Vivemos numa década na qual um terço do consumo de energia e emissões de CO2 são procedentes dos imóveis em que trabalhamos ou habitamos. Estes dados não podem deixar-nos, cidadãos e instituições, indiferentes. Por isso a ADENE - Agência para a Energia tem trabalhado no sentido de garantir progressivos níveis de poupança energética que ao mesmo tempo assegurem as exigências de qualidade e de conforto.

Esta preocupação é crescente e representa novos valores da sociedade. Uma geração que está cada vez mais consciente das questões relacionadas com a eficiência energética e a sustentabilidade. A esses valores há que juntar os benefícios financeiros, para as famílias e para o país, de uma utilização racional de energia e do aproveitamento das fontes de energia renováveis disponíveis de forma abundante em Portugal.

Este contexto é cada vez mais favorável à implementação de instrumentos, tal como o certificado energético de edifícios, tão útil aos proprietários para uma

escolha informada na aquisição de casa, ou para o incentivo à melhoria dos imóveis construídos e comercializados em Portugal. A certificação energética de edifícios é já uma realidade com mais de 500 000 edifícios certificados e um reconhecimento crescente dos consumidores, mesmo a nível internacional.

É neste contexto e em resposta ao processo de revisão da diretiva europeia relativa ao desempenho energético nos edifícios, que tem vindo a ser desenvolvido o processo de revisão da atual legislação em Portugal, com o objetivo de dar resposta às novas exigências comunitárias.

Pretendemos estimular a criação de instrumentos especificamente desenhados para as medidas previstas na certificação. É importante que, de forma gradual e estruturada, se potencie a eficiência energética, modelando o mercado para as melhores práticas, que permitirá uma maior diferenciação num contexto tão competitivo como o atual, mas sempre procurando a mitigação de sobrecustos para a economia e para as famílias portuguesas.

Adicionalmente, lançámos o SEEP -Sistema de Etiquetagem Energética de Produtos, que vem assegurar que todos os equipamentos e componentes dos edifícios apresentem elevados níveis de eficiência energética. Este sistema, apoiado numa plataforma eletrónica, irá permitir a diferenciação positiva daquelas que são as soluções energeticamente mais eficientes. Deste modo maximizamos o parque edifica do e promovemos e incentivamos o uso de materiais energeticamente mais eficientes.

Por fim, e de forma a realçar economias de energia naqueles que são os edifícios e equipamentos das entidades públicas, a ADENE, tem apoiado a sua tutela e a Direcção Geral de Energia e Geologia na operacionalização do ECO.AP - Programa de Eficiência Energética na Administração Pública, assegurando o cumprimento das suas responsabilidades de veículo promotor da eficiência energética nos edifícios do Estado. A aposta neste setor irá igualmente ajudar a dinamizar o setor das Empresas de Serviços Energéticos, gerando mais emprego, engenharia e tecnologia portuguesa, ajudando na exportação de conhecimento e crescimento da economia.

São muitos os desafios que temos pela frente, mas são mais as oportunidades para afirmação e reforço da dimensão energética na construção, reabilitação e utilização dos edifícios, cabendo a todos nós continuarmos a dinamizar este setor.

Este anuário integra a globalidade dos temas referidos e contribui de forma construtiva para um caminho no sentido de termos mais edifícios sustentáveis. É sem dúvida um projeto estimulante, dinamizador de boas práticas. Um exemplo vivo da dinâmica e da capacidade de inovação na criação de ferramentas úteis e próximas do mercado. Estamos confiantes no progresso e afirmação destes temas no nosso país. Esta publicação será certamente de grande utilidade para quem o consulte.