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EDITORIAL

Ricardo Guimarães

Ricardo Guimarães

Diretor da Ci

A promoção imobiliária empresarial continua a valorizar a eficiência energética

No ano 2012, a base de dados do Anuário Imobiliário e Energético permitiu identificar 10,4 mil novos projetos imobiliários residenciais em licenciamento, localizados em Portugal Continental. No total, esses edifícios somam 16,6 mil fogos.

A grande maioria desses imóveis são habitações unifamiliares. Mesmo assim, registam-se quase 1.200 edifícios de apartamentos, que representam apenas 11% dos prédios mas que albergam 40% dos fogos.

Tais projetos foram “pré-certificados”, ou seja, foram alvo da emissão de declarações de conformidade regulamentar (DCRs) por parte dos peritos acreditados pela ADENE – Agência para a Energia.

Nos termos legais, a emissão de DCRs deve acontecer ao longo do ciclo de pedido de licenciamento ou comunicação prévia. Assim, a monitorização do mercado através das DCRs tem um elevado interesse para todos os intervenientes do setor, na medida em que possibilita medir a tendência das intenções de investimento e, por essa via, antecipar a evolução futura do lançamento (licenciamento) de novas obras. Dito de outra forma, este universo de projetos delimita aquele que é o potencial futuro de obras licenciadas (excetuando eventuais obras legalmente isentas de DCR).

Olhando para esses projetos, há um sinal por parte dos operadores que releva enfatizar: a promoção imobiliária continua a valorizar a certificação energética enquanto atributo dos imóveis, mesmo no quadro económico atual.

Isso é o que se pode constatar quando se observa o segmento de edifícios de apartamentos, naturalmente mais associado à atividade de promoção imobiliária empresarial orientada para a venda ou arrendamento. Neste segmento verifica-se que, em 2012, no caso da construção nova as classes A e A+ tiveram uma quota de 56% dos fogos em carteira. No caso das obras de reabilitação essas classes mantiveram-se significativas, abarcando 43% dos fogos. Em Lisboa, onde é maior o peso relativo dos edifícios de apartamentos e das obras de reabilitação, aquelas percentagens sobem para 72% na construção nova e 51% na reabilitação. No Porto, que se apresenta como o segundo mercado alvo das intenções de investimento, atingem 68% na construção nova e 63% na reabilitação.

Mesmo assim em termos globais tem havido uma redução da incidência de fogos de classe A ou A+. Em 2009 eram 57% ao nível da construção nova e 39% nas obras de reabilitação passando, em 2012, para 40% e 31%, respetivamente. Essencialmente, este é o resultado da forte redução de edifícios de apartamentos entre os projetos objeto de DCR, aumentando a quota relativa às moradias unifamiliares, que representam 60% dos fogos “pré-certificados” em 2012 e entre as quais somente 27% dos fogos têm uma classe energética A ou A+.

Ao contrário da edição eletrónica do Anuário, nas edições impressas abrangem-se somente os projetos que foram efetivamente licenciados, já que são esses que compõem o universo de “lançamentos” em cada ano. Desse conjunto destacam-se os principais empreendimentos, tendo por base a informação de licenciamento prestada pelas Autarquias Municipais.

Assim, nesta edição são apresentados 351 edifícios, entre os 2.070 projetos licenciados nos municípios cobertos pelo Anuário.

Delimitando a análise às obras licenciadas, o Anuário põe em evidência a crescente fratura entre os centros metropolitanos e as periferias, designadamente na tipologia dos investimentos. Se em Lisboa e no Porto, respetivamente, 91% e 61% dos fogos licenciados enquadram-se em projetos de reabilitação, nos demais municípios abrangidos esse número desce para 11%...

A presente edição é a terceira da série do Anuário Imobiliário e Energético. O crescente apoio dado a esta iniciativa da Confidencial Imobiliário faz com que cada vez melhor cumpra os seus objetivos de informação, mapeando os novos projetos lançados, entregando esse conteúdo ao mercado como input para as respetivas decisões de promoção, investimento, aquisição ou reabilitação. Viabilizam essa operação a ADENE, o INCI, o IHRU, a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Arquitectos, a Schmitt Elevadores, a Saint Gobain Weber e a Cosentino.