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EDITORIAL

Augusto Mateus

Augusto Mateus

Presidente do Júri

Das instituições académicas exige-se investigação útil e dos empresários a sua valorização.

A economia portuguesa tem pela frente um desafio de grande exigência onde importa combinar, de forma inteligente e determinada, um esforço estrutural de reconstrução das bases da sua competitividade internacional, sem o qual não será possível o desejado e indispensável relançamento do crescimento económico, com um esforço conjuntural de reequilíbrio e consolidação das finanças do Estado, das empresas e das famílias, sem o qual não será possível garantir sustentabilidade e credibilidade às iniciativas de investimento e às expectativas de consumo.

As políticas públicas, bem como as estratégias e iniciativas empresariais, precisam, como nunca, de qualidade e visão de futuro favorecendo, num mundo onde as economias emergentes se converteram em motor do crescimento, uma efectiva convergência na Europa alargada que só pode vir a ser concretizada se Portugal se converter, rapidamente, num país profundamente integrado nas dinâmicas positivas da globalização com base numa diferenciação positiva alicerçada no seu capital humano, na eficiência das suas organizações e na atractividade e ordenamento das suas cidades e territórios.

O tempo económico no Portugal de hoje é um tempo de urgência sem precipitações. O tempo económico no Portugal de hoje é um tempo de convergência, na acção, entre o sector 6 público e o sector privado, entre o mundo do conhecimento e o mundo das empresas. O tempo económico no Portugal de hoje é um tempo de articulação estreita e coerente entre a disponibilização de bens e serviços públicos, com mérito e validade no apoio à qualidade de vida das famílias e às condições de competitividade das empresas, e a produção e distribuição de bens e serviços transaccionáveis, em dimensão e valor suficientes para melhorar o padrão de especialização da economia portuguesa, suportar a qualificação dos modelos de consumo e dinamizar investimentos mais reprodutivos e sustentáveis à escala global.

As actividades imobiliárias constituem um importante “campo de batalha” deste inescapável esforço nacional de ajustamento financeiro e melhoria competitiva.

O conjunto das actividades associadas ao sector imobiliário constitui, com efeito, uma relevante área de desenvolvimento da economia portuguesa, seja pela associação aos fenómenos de manifestação e saída da presente crise económica e financeira, seja pela importânica do seu contributo para um desenvolvimento turístico em profundidade, seja pelo seu contributo para a regeneração e revitalização das cidades portuguesas, seja, finalmente, pelo seu contributo para os desafios da eficiência energética e a sustentabilidadeno plano ambiental.

O prémio André Jordan, lançado com plena consciência destes desafios e oportunidades, e a cujo júri tenho a honra de presidir, visa por isso mesmo contribuir para a aproximação do mundo académico e dos agentes empresariais do sector, premiando os esforços de investigação de mérito e favorecendo a divulgação dos seus resultados.

Aquela aproximação exige, por uma lado, instituições académicas onde se possa desenvolver investigação aplicada com valor e utilidade e, por outro lado, empresas e empresários que sejam capazes de utilizar e valorizar os resultados dessa mesma investigação.

A primeira edição Prémio André Jordan vai permitir, em minha opinião, um começo auspicioso, uma vez que os sinais que ela permite transmitir parecem ser plenamente adequados.

Os trabalhos avaliados alcançaram uma expressão nacional, ao nível das instituições académicas, e uma diversidade temática alargada, ao nível das várias disciplinas científicas mobilizáveis para as investigações.

Os trabalhos premiados, como terão oportunidade de confirmar, constituem esforços com valor e utilidade que acrescentam conhecimento com repercussões positivas nomeadamente na qualificação dos processos de regeneração urbana e na qualificação do funcionamento dos agentes e do mercado imobiliário.

O Prémio André Jordan tem, no entanto, um longo caminho a percorrer para poder alcançar a relevância e significado que visa obter no desenvolvimento económico e social do país. Importa, assim, terminar, com um apelo de participação aos mais jovens e aos mais experientes através dos seus esforços de investigação e com um apelo de atenção às empresas e empresários do sector imobiliário para o papel do conhecimento nos seus esforços competitivos, seguro de que a sua colaboração permitirá corrigir os principais desequilíbrios do sector e contribuir para a sua afirmação como alavanca de emprego e crescimento na sociedade portuguesa.