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EDITORIAL

Ricardo Guimarães

Ricardo Guimarães

Diretor da Ci

Consigo, leitor da Ci, partilho: o Centro Histórico do Porto valorizou 81% desde 2011

Hoje já parecem distantes os dias em que os centros das cidades eram os donuts do mercado imobiliário. O tempo em que não fazia sentido incluir as “baixas” na contagem do parque imobiliário, dado estas equivalerem à sucata urbana. Conforme bem observado pelo Prof. João Ferrão aquando da apresentação dos resultados dos Censos de 2001, as cidades tinham muita sucata. Fazer o recenseamento incluindo os fogos devolutos, em ruína, era o mesmo que somar ao parque automóvel as viaturas depositadas nos ferros-velhos, manifestamente impossibilitadas de desempenhar o seu papel económico.

Sucediam-se as conferências, manifestos, documentos estratégicos, discursos, revindicações, encontros e reflexões. A reabilitação urbana estava no pensamento de todos, mas não saía desse lugar. Para quem chega hoje ao mercado, esse parece ser um tempo incompreensível, distante, vago e, até mesmo, eventualmente inverosímil. Num ápice, o centro histórico do Porto despertou, foi invadido por agentes, turistas, vida e investimento. Mesmo com tanto ainda por fazer, a viragem é de tal magnitude que hoje as preocupações da política pública já são relativas à necessidade de conciliar a vivência turística com a autenticidade da cidade, preservando a vivência urbana. E é nesse quando que o Índice de Preços do Centro Histórico do Porto regista uma subida de 17,1% em 2015. Nada mais normal se compararmos com a evolução das transações, do investimento em obras e, simplesmente, com o número de pessoas na rua! O que ninguém, ou pelo menos eu, anteciparia era que entre 2011 e 2015, em quatro anos, o mercado valorizasse 80,9%! Mesmo assim, esse é um número que não tem de surpreender. Se pelo lado da procura o motor do mercado é claramente o turismo, do lado da oferta, a transformação decorre de operações como a intervenção no eixo Mouzinho-Flores, uma decisão que claramente catapultou comerciantes e investidores, rendidos à evidência do potencial desse espaço, que claramente é o motor deste mercado. Não dei destaque público aos 81%. Mas consigo, que nos acompanha e é um operador do mercado, partilho essa informação. Esse número resulta de uma valorização que parte de uma base realmente baixa, de um mercado que estava realmente inerte…