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EDITORIAL

Ricardo Guimarães

Ricardo Guimarães

Diretor da Ci

Pela primeira vez completou-se uma série de seis meses consecutivos com subidas mensais nos preços

Os preços de venda de habitações estão a subir em Portugal. É uma afirmação nesta altura absolutamente inquestionável. Olhando para o Índice de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário (que como é sabido é calculado com base em preços de transação colhidos no SIR), pela primeira vez nos últimos anos, em Março de 2016 completou-se uma série de seis meses consecutivos com variações mensais positivas. Só neste período, o mercado valorizou 4,1%, o que em termos anualizados daria um resultado acima dos 8%. A manter este ritmo e a verificar-se um resultado desses no final de 2016, estar-se-ia perante algo de notável.

O sentimento dos operadores do mercado é claramente positivo. O Portuguese Housing Market Survey aponta nesse sentido, havendo um aumento do índice de confiança após uma redução do mesmo na fase de maior indefinição política vivenciada no final de 2015. De acordo com este inquérito, os agentes antecipam uma subida da procura e dos preços, começando essas expectativas a generalizar-se territorialmente. O alcance geográfico destas tendências é, ainda, a pedra angular que este tipo de análises deve ter. No ciclo 2013-2015 toda a dinâmica do mercado decorreu das mudanças verificadas na atração de investimento internacional e na reabilitação urbana. O mercado partiu em dois, com uma parte em franca recuperação e outra em persistente congelamento. Entretanto, após um ciclo de desalavancagem e de aposta no escoamento de imóveis recebidos em recuperação de crédito, a Banca começou a regressar ao mercado. No espaço de um ano, praticamente duplicou a concessão de novos créditos à habitação. E é aí que reside o pilar para a gradual generalização territorial da valorização do mercado. Mesmo assim, importava ver quais os concelhos já beneficiados com este aumento, já que não se antecipa que todo o mercado aceda ao crédito ao mesmo e em iguais condições, conforme sucedia no “pré-crise”. Em média o mercado valorizou 2,9% no ano 2016. Mas se Lisboa valorizou 11,9% e Cascais 6,5%, bem ao lado, concelhos como Amadora, Vila Franca e Loures, caíram cerca de 5%. E, em média, no caso dos concelhos periféricos do distrito de Lisboa, no final de 2016 os preços estão 15,1% abaixo do patamar de 2009. A evolução do sistema financeiro e do crédito determinarão o grau e a rapidez com que estes mercados começarão a convergir.