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EDITORIAL

Ricardo Guimarães

Ricardo Guimarães

Diretor da Ci

A Libra caiu 8,5%, claro, mas os preços no Algarve já tinham ajustado em 30%...

O Algarve foi, objectivamente, o mercado mais fustigado pela crise financeira. Foi a geografia na qual os preços começaram a cair mais cedo e aquela que mais tarde retomou a trajetória de recuperação. Concelho a concelho, tendo por base os Índices de Preços Residenciais da Ci, observam-se desvalorizações que em muitos dos casos superam os 30%, incluindo mesmo alguns dos principais mercados da região (não vou nomear…).

Praticamente todos os concelhos registaram perdas em todos os anos desde 2008. Todos menos 2015. Esse foi o ano no qual o consenso já foi de sinal inverso, ou seja, todos (ou quase) atingiram variações positivas, alguns mesmo muito positivas. Em oito dos dezasseis concelhos a valorização desse ano superou os 5%. Curiosamente, foi nos mercados mais penalizados que a recuperação foi mais forte, superando os 10%. Assim, comparando com outras regiões, o Algarve apresenta-se como aquele que terá mais potencial de valorização. Não só pelas perdas globalmente superiores, mas por ter uma lógica de investimento menos determinada pelas dinâmicas da economia local ou nacional. Depois de Lisboa, cuja realidade é igualmente específica, esta região é a que tem maior propensão para captar a procura internacional, tendo uma forte incidência na atividade do mercado imobiliário local. O ano 2016 apresenta-se como um período de consolidação, propenso ao relançamento de projetos congelados, havendo alguns segmentos nos quais se instala um sentimento de falta de produto para venda. Mas eis que chega o Brexit. Esse acontecimento é um teste à nossa inteligência e capacidade de ação. Claro, a Libra caiu e esse é um facto a não ignorar. Mas caiu de 1,30 para 1,19, ou seja 8,5%. Trata-se de uma quebra muito menos significativa do ajuste de 30% que o mercado já tinha feito nos preços... Assim, o que há a fazer é ter agressividade no lançamento de programas de promoção do Algarve, posicionando-o como refúgio para os investidores e sendo cada vez mais competitivo no respetivo enquadramento fiscal. Para o Algarve, nada está perdido, nada é fatal. Mas tem de atuar-se com agressividade e inteligência.