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EDITORIAL

Paulo Gomes

Paulo Gomes

Professor Catedrático Convidade UNL

Especialização inteligente e marketing intelligence nas PMEs e no mercado imobiliário

O Innovation Scoreboard 2016, recentemente divulgado, posiciona o nosso país como “inovador moderado”, tendo registado uma evolução positiva neste ranking no período 2008-2015 nos indicadores de inovação que vêm convergindo com as médias comunitárias.

Contudo essa melhoria traduziu-se mais do lado dos indicadores de condição e de recursos do que do lado dos indicadores de inovação e sofisticação empresarial. Isto significa que temos hoje capital humano suficiente para o incremento de atividades inovadoras na indústria e nos serviços, suscetíveis de propiciar novos aumentos de produtividade decorrentes da subida na cadeia de valor e não da redução de emprego. Está portanto ao nosso alcance a possibilidade de virmos a ser reconhecidos como uma economia essencialmente baseada no conhecimento onde mesmo os setores tradicionais pretendem competir no mercado internacional mediante processos inovadores (tecnológicos ou não tecnológicos) e diferenciação dos seus produtos.

As PMEs têm um papel determinante neste desiderato. Setor a Setor há que fazer melhor até ao horizonte 2020, através de maior cooperação empresarial e reforçada articulação com as entidades do Sistema Nacional de Inovação.

No caso particular das PMEs do ramo imobiliário, cuja carteira de negócios tem vindo novamente a progredir, há novos desafios em sede de inovação organizacional, dos processos, das tecnologias de informação e comunicação e do seu posicionamento internacional. Sendo expectável um continuado crescimento da atividade turística em Portugal, vamos assistir concomitantemente a uma crescente procura de segunda residência com origem não só europeia mas também proveniente de outros mercados mais longínquos. As empresas do ramo imobiliário melhor preparadas na especialização inteligente dos seus processos e no conhecimento do perfil da demanda externa (Business Intelligence) e mais focadas na afirmação competitiva dos nossos produtos imobiliários e na prestação de novos serviços num contexto geográfica e culturalmente mais abrangente (marketing intelligence), serão provavelmente as mais sustentáveis no pós–2020.