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OPINIÃO

Luís Araújo

Luís Araújo

Presidente do Turismo de Portugal

Por um turismo (mais) competitivo

O turismo é hoje uma das atividades económicas mais dinâmicas em Portugal. 

Os últimos dados disponíveis de 2016 evidenciam crescimentos na ordem dos 10% em termos de procura e 16% em termos de proveitos da hotelaria, demonstradores da capacidade competitiva que o turismo nacional e as empresas do setor possuem neste momento.

Os quase 11 mil milhões de euros de receitas geradas pelos não residentes em Portugal até outubro de 2016 mostram a vitalidade do setor e reforçam o papel fundamental do turismo na estratégia de crescimento e emprego no nosso país.

Estamos hoje numa fase de maturidade do setor do turismo em Portugal e da generalidade dos seus atores – das empresas, dos gestores, do setor público, das estruturas associativas.

Os últimos anos foram anos de enorme progresso em termos de qualificação da oferta, de melhoria da formação dos profissionais, do desenvolvimento de novos produtos, de transformação de modelos de negócio.

Neste contexto, um dos maiores desafios que temos pela frente é o de garantir que o setor do Turismo em Portugal continua a ser um dos mais competitivos do mundo e que essa competitividade incorpora os princípios e os valores da sustentabilidade, nas suas múltiplas vertentes: uma atividade económica próspera e geradora de emprego ao longo de todo o ano, que preserva o território e os seus recursos e valoriza a cultura e as comunidades.

Outro dos desafios passa por criar condições para atrair mais turistas e distribuir a riqueza gerada pelo sector a todo ao país. 

É nestes pilares que assenta a “'Estratégia Turismo Portugal 2027”, que pretendemos seja um caminho partilhado por todos os agentes do sector, em que todos participam na identificação de desafios e no desenvolvimento de soluções para os vencer.

Contudo, é preciso termos consciência que só com o envolvimento e a participação de todos os agentes do sector e com a articulação de outras áreas complementares será possível atingir os objetivos a que nos propomos.

O Turismo Residencial constitui umas das áreas que pode contribuir de forma muito positiva para a estratégia que estamos a desenvolver, proporcionando estadias mais prolongadas e independentes dos ciclos turísticos habituais, criando uma procura constante de produtos e serviços durante todo o ano, contribuindo para a atenuação da sazonalidade dos destinos e para a melhoria da sua qualidade.

Por outro lado, associado a clientes exigentes e com elevado poder aquisitivo, possibilita o fluxo de receitas ao longo de todo o ano, com um impacte muito positivo na economia nacional, na criação e manutenção de postos de trabalho, na construção de uma imagem de destino de excelência e com reflexos ao nível da nossa balança de pagamentos, pela captação de rendimentos estrangeiros e aumento das receitas fiscais.

Será porventura uma das áreas onde tem sido mais evidente o benefício de uma abordagem holística no desenho das políticas públicas e em que o alinhamento das mesmas tem conduzido a excelentes resultados. 

Com efeito, ao dinamismo da economia na criação da oferta neste domínio associou-se uma atuação proativa do Estado nos domínios fiscal e de promoção turística alinhada com os objetivos de captação de investimento internacional e de promoção de Portugal como destino de férias e de residência.

Um exemplo de cooperação estratégica que podemos e devemos replicar noutros domínios do turismo, garantindo que este setor continua a liderar o crescimento económico no nosso país e a valorizar Portugal como país de oportunidades.