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EDITORIAL

Ricardo Guimarães

Ricardo Guimarães

Diretor da Ci

O Centro Histórico do Porto estava desvalorizado em 50%

O Porto é uma cidade vibrante de investimento e reabilitação. Para monitorizar essa dinâmica, a Autarquia aprovou o acordo com a Ci para o tratamento estatístico dos direitos de preferência em todas as ARUs da cidade, viabilizando uma análise integrada das suas tendências. 

Esta edição da revista Ci tem por tema o mercado imobiliário da cidade do Porto. A sua publicação coincide temporalmente com a aprovação, por parte do Executivo Municipal dessa cidade, do protocolo de parceria com a Confidencial Imobiliário, a partir do qual a Ci passará a tratar estatisticamente os dados dos direitos de preferência de todas as Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) vigentes dentro do respetivo concelho. Feliz coincidência, marcando uma nova etapa na produção de dados sobre preços de venda na cidade do Porto, aproximando-a do nível de análise que a Ci já assegura nas principais zonas de Lisboa, precisamente a partir da mesma fonte de dados.

O primeiro acordo do género foi estabelecido com a Porto Vivo, SRU, já em finais de 2014, tendo permitido o lançamento de uma operação sistemática de produção estatística relativa à ARU do Centro Histórico, no contexto da qual se lançou em meados de 2015 o Índice de Preços do Centro Histórico do Porto (IPCHP). A par desse indicador, foi possível alimentar o mercado com dados sobre preços de vendas, segmentados por bairro, por tipo de imóvel e, mais recentemente, por classe energética (que sinaliza o nível de reabilitação dos edifícios). 

E os resultados não podiam ser mais expressivos. Segundo o IPCHP, o Centro Histórico do Porto valorizou 12,9% em 2016, acumulando uma valorização de 98,6% desde 2011. Sendo uma subida muito significativa, no entanto, este número só pode ser lido de uma forma: o mercado estava 50% abaixo do seu potencial (rácio entre o índice em 2011 e 2016). Sem dúvida, olhando hoje para esse território, torna-se incompreensível como era possível um espaço com esse potencial e relevância ser um deserto de valor e investimento. 

Em consequência, torna-se também claro que a dinâmica de reabilitação e de procura estende-se cada vez mais pelo que se pode conceber como uma Baixa alargada, de Cedofeita a Santo Ildefonso e Bonfim (onde se estendem as ARUs cobertas pelo novo protocolo acordado entre a Ci e a Autarquia). Ao longo desses eixos, crescentemente, o Porto renova-se assumindo vocações complementares às do Centro Histórico. 

Em resposta à consolidação das novas fontes de procura imobiliária - desde a turística, à internacional, passando pela “Erasmus” - a cidade ganha um novo potencial, abrindo novas perspetivas em zonas que há muito pouco tempo estavam ausentes de qualquer plano de investimento. Nesta etapa, o desafio do Porto é concretizar esse potencial, promovendo uma visão metropolitana da cidade, agarrando a oportunidade de coesão territorial que este momento pode propiciar.