Ler Edição

EDITORIAL

Manuel Pinheiro

Manuel Pinheiro

Conselho Editorial da Ci

Lisboa, um exemplo no caminho para a sustentabilidade com desafios significativos.

A cidade de Lisboa num quadro de crescimento da procura, investimento e atividade em geral, tem vindo a adotar o desafio da sustentabilidade, assumido pelo município e alguns agentes, que reconhecem a sua importância. A utilização do sistema LiderA, de apoio à procura da sustentabilidade e de certificação, como referência para avaliar a procura dessa sustentabilidade evidencia aspetos interessantes do caminho efetuado e dos desafios a serem resolvidos, nas suas seis dimensões de integração local, recursos, cargas ambientais, conforto ambiental e resiliência, vivências socioeconómicas e uso sustentável.

Na procura da boa integração local do edificado e dos espaços naturais, existe em Lisboa, uma dinâmica muito positiva assumida pela criação de corredores ecológicos, desenvolvimento de espaços verdes, nas propostas de gestão das águas pluviais, assumidas pelo Plano de Drenagem de Lisboa, bem como na reabilitação do edificado, valorizando o património.

Como fortes desafios encontram-se a questão da impermeabilização, nomeadamente dos logradouros; e a afirmação que o património edificado contribui para identidade das zonas e bairros.

Na gestão dos recursos e cargas ambientais, salientam-se as intervenções na energia (aumento da eficiência na iluminação municipal e alguns sistemas, bem como o aumento do desempenho energético do edificado), na água (a possibilidade de utilizar as águas residuais tratadas), nos resíduos (os sistemas de reciclagem), as medidas para melhorar o nível de qualidade do ar e ruído (limitações para veículos de maiores emissões, bairros de velocidade 30).

Os desafios e oportunidades na gestão dos recursos e cargas são elevadíssimos, desde logo assumir no edificado uma componente bioclimática / passiva mais estruturante, o papel das energias renováveis (edifícios e bairros que vai ser marcado pela procura de quase zero de energia nos edifícios nos próximos anos), no assegurar de uma gestão dos resíduos de construção e demolição na dimensão da valorização (reutilização e reciclagem). Contudo, os sistemas ainda são lineares, estando numa fase que importa assegurar a transição para uma economia circular e de baixo carbono.

No conforto e resiliência, a melhoria do desempenho do edificado é relevante, bem como as medidas para a preparação dos desafios climáticos, sendo que a questão do conforto e controlos dos riscos é um aspeto a considerar.

As vivências socioeconómicas é uma das vertentes em que os saltos são mais significativos e promissores, com a dinâmica criada na cidade de Lisboa, que vai desde o desenvolvimento das atividades de bairro, ao turismo, à criação de vias cicláveis, bicicletas partilhadas (como a Gira) e a dinâmica dessas mesmas vivências.

Uma oportunidade que não deve ser perdida é a garantia de que os sistemas de mobilidade elétrica, nomeadamente os sistemas de carregamento público dos veículos elétricos efetivamente funcionem. Atualmente na cidade de Lisboa é um desastre total, sendo difícil encontrar um posto de carregamento a funcionar. A integração social e identidade é também um aspeto a considerar.

A cidade de Lisboa é já um bom exemplo da procura da sustentabilidade, existindo no entanto ainda sinais por vezes contraditórios, sendo essencial efetuar marketing desta procura da sustentabilidade e dar um quadro à reabilitação e ao novo edificado, que oriente para a sustentabilidade de forma a assegurar uma relação win-win entre o ambiente, a economia e as vivências sociais.